A chuva faz com que eu aperte o passo. Sinto a melodia cadenciada das gotas quebrando no asfalto quente. Uma a uma, elas caem em milhões enquanto eu corro, deixando que algumas toquem meu rosto e grudem em minhas roupas. O dia, antes apático, agora se torna triste. Sinto o peito apertar. O que teria acontecido com ele?
Ele me mandou correr e, até então, não havia conseguido vê-lo atrás de mim. O que aconteceu? Respiro fundo, me concentrando em apertar o passo. As lágrimas se misturam á chuva. Desespero: conheço bem essa sensação. Sinto um nó na garganta, uma estranha sensação de desamparo quando paro para respirar. Não consigo me recompor: estou sozinha.
Meu coração dói. Ele havia morrido? O que havia acontecido com ele. Naqueles momentos agonizantes, eu e ele, juntos. Um momento que serviria para respirar fundo e tornar a correr torna-se apenas um espaço de tempo para o choro convulsivo que toma conta de mim. Sinto meu coração acelerar, minha respiração acelera. O que estava acontecendo com ele? O que quer que fosse, eu podia sentir.
E não era nada bom.
Ignorando as suas ordens, me ponho a correr de volta para o lugar de minha fuga. Não havia sentido fugir se ele não estava ali. Sinto as lágrimas trilhando os caminhos da chuva, descendo pelo meu rosto e se misturando às centenas de gotas que me molhavam o rosto. Ele deveria estar vivo. Ele precisa viver. Eu preciso dele. Eu o amo!
Corro contra a chuva, sinto o ar faltar. Não paro. Não respiro. Nem sequer penso. Apenas corro em sua direção, sabendo exatamente onde ele está. Quando o encontro, choro. Aos prantos, me deito sobre o seu corpo ferido. A facada em seu estômago, a palidez em seu rosto e seu sangue no asfalto.
Eu grito seu nome. Eu o chamo para a realidade, mas ele não meu ouve. Seu olhar está vidrado em algum ponto além de mim. Em algum ponto além da vida. A certeza de sua morte apaga qualquer chama em meu peito. Eu sinto o frio da chuva, eu sinto o frio da pele dele. Não sei dizer se alguma daquelas gotas em seu rosto era de suas lágrimas. Não sabia de dizer o quanto havia sofrido. Eu corri, como ele mandou.Sem carteira. Sem o anel que lhe dei. Sem nem mesmo os sapatos. Eu grito, mas o grito é suprimido pela chuva. Eu choro. Eu canso. Eu o abraço, me banhando no pouco sangue que verte, desanimado, pelo ferimento aberto. Sinto raiva, sinto tristeza. Sinto amor. Sinto solidão.
Eu não posso viver sem você! Eu não posso atravessar os meus dias sem falar com você, ou te beijar, ou tocá-lo de qualquer maneira. Eu preciso de seu toque, eu preciso de suas palavras. Eu preciso de seu amor. Eu preciso de você! Eu preciso de você! Por favor, volte para mim! Por favor! POR FAVOR!
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