Um Beijo Vermelho

Os dois, quando chegaram ao banheiro da boate, já estavam enroscados um no outro. Ela sentia a pele pálida e fria do rapaz tocá-la por debaixo da blusa, mas nada fez para pará-lo. Os passantes que se aproximavam os ignoravam. Não era incomum que algo do gênero acontecesse. Um banheiro em uma boate, sem duas pessoas se pegando, não seria um banheiro de boate.

Ela passou as mãos pelo rosto do rapaz e ele sorriu, mostrando os caninos avantajados. Se conseguisse, ela teria sentido um arrepio lhe percorrer a espinha. Deixou que ambas as línguas se enroscassem, que suas peles se fundissem em meio à parca claridade do banheiro. Ela, em algum momento, desvencilhou-se do rapaz com cautela e, sorrindo, embrenhou-se em uma das cabines.

Ele, com um sorriso vitorioso, se aproximou sedento. Ela o beijou mais uma vez até que ele tomasse a dianteira e partisse para o seu pescoço, beijando, lambendo e mordiscando. Ela ria baixinho enquanto ele o fazia, deliciando-se no corpo da garota. Os dois jovens, perdendo-se dentro da cabine do banheiro feminino, apenas podiam ouvir os seus sons e o das poucas garotas que se aprontavam de frente para o espelho.

A garota, então, tomou o controle da situação e fez com que o rapaz delirasse. Ele sentia os lábios dela em sua orelha, descendo-lhe a curva do pescoço, aonde ele sentiu a mordida que o fez entrar em estado de absoluto prazer. Ele agarrou-se à garota enquanto ela lhe lambia o pescoço e o sugava com os lábios. Ele sentia-se a tal ponto que perdia a força das pernas.

Ela o soltou e o deixou cair sentado sobre o vaso. Ele escorregou lentamente pela parede antes de sentir o ar faltar e respirar mais profundamente. Ela o encarava com algo próximo do divertimento. Ele não entendia. Suas forças lhe faltaram quando tentou puxar o ar de novo. O que estava acontecendo?

Aquilo nos lábios dela era sangue? Instintivamente levou a mão ao pescoço e deparou-se com o líquido avermelhado que ainda vertia. Se pudesse, teria empalidecido ainda mais. Quando ela lhe enviou um beijo e fechou a porta, ele teria gritado se conseguisse. Mas como as forças lhe faltaram, simplesmente pereceu, segurando o pescoço em um gesto desesperado.

A garota, após se assegurar que as demais já haviam saído, lavou o rosto e, com o andar envolvido em luxúria, saiu a procura de seu próximo parceiro de dança.

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