Seus olhos vaguearam em meio à escuridão. Já estava ali há muito mais de duas horas e sequer fazia ideia do que o aguardava. Tentou, mais uma vez, soltar-se do que quer que o prendia, apenas para escutar o tilintar do metal. Embora não pudesse vê-las naquele breu, tinha certeza de que eram correntes.
Não havia mais lágrimas, mas a angústia ainda não havia cessado. Estava assustado. Não havia nada que umedecesse sua garganta, nenhuma luz que lhe alcançasse os olhos. Parecia estar preso dentro de uma grande caixa, onde apenas havia sua existência.
Ele se remexeu desconfortável, tentando clamar por ajuda mais uma vez, mas sua garganta apenas arranhou, sua voz esganiçando quando se esforçou um pouco mais. Deu-se por vencido. Baixou a cabeça. Pensou que iria enlouquecer.
A escuridão era absoluta. Não havia nada para se focar, fazer o tempo passar ou se distrair. Apenas havia o vazio escuro onde estava. Seu corpo parecia pesar uma tonelada e não conseguia mais sentir a ponta de seus dedos, a corrente apertando seu pulso.
A respiração começou a faltar. Talvez não pelo ambiente fechado, mas muito mais por desespero. Tentava respirar fundo, mas apenas conseguia soluçar. Choraria de novo se ainda lhe restassem forças, mas parecia estar sendo drenado a cada segundo.
Tentou mexer os pés, se ajeitar em uma posição menos desconfortável, mas todas as posições se tornaram enfáticas. Definharia ali. Com sede, com fome. Morreria afogado em seu desespero. Ali dentro não havia nenhum deus. Ali dentro, apenas havia ele.
Ele podia sentir um monstro diante dele, rastejando como uma onça antes do ataque, alimentando-se do seu medo, drenando-lhe as forças. Sabia que ele estava ali. Queria encará-la nos olhos uma vez mais antes de desmaiar, fazê-lo saber que havia conseguido o que queria. A luz, porém, não parecia disposta a aparecer.
Era o fim. A única coisa que o diferenciava de um morto era o seu respirar. Mas não levou mais de vinte minutos para isso lhe ser tomado também.