O quarto ainda está na penumbra. Eu acabo de abrir os olhos e sorrio com o que vejo de frente para mim. Aquele rosto de expressão vaga, mas alegre, com os olhos fechados e os lábios ligeiramente entreabertos. A pele corada, de quem pegou bastante sol no dia anterior, os cílios que, ao natural, pareciam muito mais belos do que quando produzidos. Assim como os lábios.
Minha mão se move involuntariamente. Alcançou o seu rosto com fluidez, desenhando os contornos que, a meu ver, são mais que perfeitos. O modo como os olhos tremem, em um sonho ameno. As orelhas que só combinavam com ela... O nariz que lhe caía no rosto como qualquer outro não faria. Uma beleza tão dela... Seria loucura mudar qualquer coisa.
Do rosto, minha mão desce ao seu pescoço, desenhando-o com calma, sentindo sua pele arrepiar suavemente com o meu toque frio. O sol, aos poucos, atravessava as cortinas, deixando sua face com uma aura alaranjada, típica do nascer do sol. Do pescoço, vou aos ombros, descobrindo-os do edredom com delicadeza. Deposito um beijo suave nele.
Beijo o teu queixo com carinho. Minhas mãos acompanham suas curvas até a cintura, onde paro por bastante tempo, deslizando para trás, buscando aproximar o meu corpo do seu. Mais um beijo, em seu rosto, agora. Sinto o seu cheiro impregnando meu corpo e entorpecendo os meus sentidos... Daquele jeito que só você consegue. Dessa vez sou eu que me arrepio. Meus lábios escorregam para os seus, onde param por algum tempo, selando um ao outro, como quem a busca dos braços de Morfeu para os meus. Sua voz, assim que me afasto alguns centímetros, soa manhosa em nosso quarto.
— Bom dia.
Você abre os olhos e eu me vejo hipnotizado pelo castanho que, em você, era mais fantástico do que em qualquer outra pessoa. Sorrio. Mais uma razão para viver mais aquele dia. Mais uma razão para te amar cada vez mais. Uma cotidiana tentação... É, acho que posso conviver com isso.