Você tenta se esconder, mas sabe que já é tarde demais. Seus olhos estão girando de um lado para o outro, dentro daquele armário escuro, onde apenas as listras de luz iluminam seu rosto envolvido em terror. Você ouve um barulho e sabe que ele está em seu quarto. Você fecha seus olhos com toda a força que consegue, mas sabe que isso não vai te salvar.
Uma risada mais alta ecoa em sua direção e você percebe que ele te encontrou. Você reza, chora, implora para sair ileso. Onde estão seus pais? Por que eles não vêm te salvar? É impossível chamá-los quando se está mudo. Tentar se proteger também não vai adiantar, mas ainda assim você abraça seus próprios ombros, buscando qualquer calor humano, mesmo que seja o seu.
E então a porta se abre. A criatura olha no fundo de seus olhos e você solta um grito sem que saia som algum. Seu coração está pulando em seu peito, rasgando sua pele enquanto implora para que tudo isso acabasse. Mas não adianta. Suas mãos e seus lábios tremem como se estivesse no frio, mas era medo.
O monstro sorri. Um sorriso que na verdade era apenas uma ligeira inclinação em seus lábios, mas você não sabe se sente medo ou nojo daquela figura tão doentia. Ele estica a mão e você não vê qualquer alternativa, senão estender sua mão em resposta, deixando que ele te tirasse dali. Você identifica as marcas de sua última batalha com ele em seu braço estendido, no seu próprio corpo e no dele também. As unhadas, as marcas de sua mão em seu rosto. Mas ele não se cansa.
O monstro é o seu carrasco, tortura-te todos os dias, invade seus sonhos e torna-os quão horrendos poderiam ser. Ele invade seu quarto, invade seu corpo, e você não tem voz alguma. Não consegue acreditar que aquilo acontece com você.
É nesse momento que você descobre que o monstro existe e percebe também que ele esteve te observando durante todos aqueles dias, quando você brincava ou conversava com seus amigos. A criatura apenas esperava o momento certo para te atacar. E ele ataca. Quando você pensa que acabou, ele volta mais uma vez, com aquele sorriso doentio em seus lábios e a frase que você tanto quer esquecer...
“Do que nós vamos brincar hoje?”