— Você já se perguntou sobre o sentido da vida?
Ela fez que não e eu sorrio. Típica resposta dela. Estávamos os dois sentados, acompanhando o pôr-do-sol, serenos, apenas observando quantos tons de laranja poderiam ser vistos até o último raio de luz ser substituído pelo brilho pálido da lua. Do meu telhado, a vista era boa.
Olho para o rosto dela, iluminado. Sinto vontade de beijá-la, mas não um daqueles beijos dos quais nós esquecemos no fim do dia. Sinto vontade de beijá-la como nunca antes fiz, um beijo para ficar na história. Falo isso ao pé do seu ouvido e ela ri, se virando para mim, desafiando-me a fazê-lo. Por que não?
Minha mão acompanha os seus cabelos até apoiar-se em seu pescoço. Deitados, junto meu corpo ao dela. O começo é calmo. Eu deixo nossos lábios roçarem uma ou duas vezes, curtimos a proximidade. Eles se unem, nós deixamos a expectativa, a vontade de um pouco mais. Separamos, voltamos. Selamos os lábios uns nos outros por várias vezes até tornar-se mais intenso.
Com a intensidade, vem um pouco de fome. Os lábios se entreabrem e deixamos que nossas línguas dancem a tão conhecida e única dança que fazíamos. Exploramos a boca um do outros, o perfume dela nubla os meus demais sentidos e meu vejo até mesmo tonto. Minha outra mão busca a dela. Qualquer coisa que me prenda a realidade. Ela também segura a minha mão. Meus lábios se curvam em um quase sorriso.
Ela se senta sobre as minhas pernas esticadas. Da nuca, a mão vai descendo, buscando o começo de sua camiseta. Encontro sem muita dificuldade e, quando alcanço sua pele, posso jurar que sinto uma suave e gostosa corrente elétrica correr pelas pontas dos meus dedos. A pele dela se arrepia. A minha pele se arrepia.
Separamo-nos por um instante, sentimos nossa respiração, nossos corações descompassados em um único compasso. Não posso deixar de sorrir. Ela faz o mesmo. Minha testa na dela, o seu hálito gostoso em meu rosto. Um suave abraço que ela retribui com carinho. Beijo seu rosto, mordo sua orelha. “Perdemos o pôr-do-sol” ela diz rindo. “Podemos entrar, então... Meu quarto está quentinho...” sugiro.
“Safadinho”. Eu rio. É, talvez eu seja mesmo. É só ela querer...