Você chega à sua casa, cansado. É tarde demais para um banho longo, mas você não se importa com o barulho. Deixa a água quente escorrer pelo corpo, sente seus músculos relaxarem sob a massagem gostosa da água quente no corpo frio.
Sai do banho, seca o corpo, veste a roupa mais leve que tem. Caminha com o jeito preguiçoso até o seu quarto. Não tem fome, mas sabia que, se a tivesse, o sono ainda seria maior do que ela. Leva o celular e o coloca na tomada mais próxima de sua cama.
Apaga as luzes.
Puxa o edredom para baixo.
Sobe na cama.
Boceja.
Quando se prepara para dormir, a luz pálida do celular inunda o quarto.
Você o toma nas mãos. Uma mensagem nova. O envelopinho fica piscando na tela, convidando-o a pressiona-lo para ver a mensagem. E você pressiona.
Não olhe embaixo de sua cama.
Você não reconhece o número e quase ri por um colega seu estar tentando te pregar uma peça desse nível. Se quisessem meter medo, era mais fácil dizer que haviam achado a sua carteira e estavam em um bar, torrando a sua grana.
Você responde à mensagem, um sorriso prepotente no rosto.
Muito bem, engraçadinho. Não vou olhar.
Quando você envia, imediatamente um frio se instala em sua espinha. O calafrio sacode seu corpo e a pele se arrepia. Um barulho de mensagem recebida chega aos seus ouvidos, abafado.
Ele vem de baixo de sua cama.
Você se mexe, empertigado, sobre a cama, buscando uma posição para se mover. Que merda é essa? Finalmente toma coragem e, de cima da cama, começa a abaixar a cabeça.
Seus olhos enxergam o breu debaixo da cama.
Uma voz suave chega aos seus ouvidos.
— Eu te avisei para não olhar.
Nota do Autor: Bons sonhos...