Não chore.
As lágrimas já desbravavam seu rosto enquanto ela bradava mentalmente aquele mantra. Corria pelas ruas, sem um destino certo, correndo para longe de tudo aquilo que machucava. Queria ser livre. Queria se libertar.
Não chore.
As primeiras gotas de chuva vieram sem que ela percebesse. Saiu de casa sem roupas, carteira, dinheiro ou celular. Saiu de casa com as roupas do corpo e correu. Tinha em seus olhos uma história não contada. Em seus ouvidos, as vozes que não paravam de gritar. Tentando sobrepô-la.
Não chore.
Suas mãos estariam trêmulas se ela não estivesse correndo. Raiva e remorso se misturavam em doses desiguais alimentadas pelo seu subconsciente traiçoeiro. Só queria que aquilo parasse. Queria ter a capacidade de não se importar.
Não chore.
Suas pernas ardiam como se corresse nelas ácido, não sangue. Tropeçou em seus próprios pés cansados. Caiu sobre os joelhos e mãos sem se importar com a dor subsequente. Há quanto tempo estava correndo? Ajoelhou-se sem se importar com o próprio sangue escorrendo das mãos feridas.
Não chore.
Mas não secou as próprias lágrimas. Sentiu seu maxilar prender e, sem que notasse, o soltou em um grito ferido. Um grito desesperado.
Não...
Queria parar de sentir.
Não queria parar de sentir.
N/A: Depois de séculos sem postar nada... Havia de, em algum momento, postar alguma coisa, hahahahahahahaha... Divirtam-se!