‒ Sim, eu quebrei o nariz dele.
‒ Você admite, então?! ‒ ela perguntou descrente ‒ Você não deveria...
‒ Eu deveria ter deixado aquele imbecil continuar te cantando? ‒ interrompeu com seus olhos cheios de uma fúria incontida.
Ela bufou.
Os dois estavam sozinhos no quarto da casa dos pais dela. Ela andava de um lado para o outro, indignada. Seus olhos flamejavam, assim como os olhos dele. Os dois tinham os punhos fechados, preparados para ação. Ela tinha os lábios franzidos, o passo duro enquanto caminhava pelo quarto dela. Ele a encarava, sentado na cama de solteiro. Nos olhos dela havia reprovação. E algo mais. Ele sorriu enquanto olhava para ela, ainda irritado, porém. Ele notou e, com um sorriso debochado, pôs-se a falar:
‒ Não consegue nem ao menos fingir que não gostou que eu tenha quebrado o nariz daquele palhaço? ‒ disse com aquele sorriso cheio de escárnio pendurado no canto da sua boca.
O som do tapa em seu rosto ecoou pelo quarto.
‒ Ele é meu amigo! ‒ gritou com os olhos enchendo d’água, enraivecida.
‒ Ele me dá nos nervos. ‒ respondeu atordoado.
‒ Como você ousa?...
Ele se levantou. Era mais alto que e ela e, instintivamente, a garota recuou um passo, colocando uma distância entre eles.
‒ Não fuja de mim... ‒ murmurou o rapaz, esticando a mão em sua direção, os olhos nublados ‒ Você me... Desorienta.
‒ Não me vem com essa.
‒ É verdade. ‒ disse enrolando os dedos no pulso dela, como ela odiava ‒ Ei, olha pra mim...
Contrariando seus instintos e a sua raiva, ela virou-se e olhou no fundo dos olhos amendoados dele.
‒ Eu não suporto ver ninguém dando em cima de você. Cobiçando na minha frente. ‒ começou o rapaz, sentindo uma raiva crescente em seu peito ‒ Você não sabe como ele te olha quando você está com os olhos longes. Você não sabe como ele morde os lábios todas as vezes que você ajeita os cabelos. ‒ ele cerrou o punho livre, desejando quebrar o nariz do outro rapaz novamente ‒ Eu não me arrependo de ter quebrado o nariz dele. E quebraria de novo, você me conhece.
Ela olhou para ele, estreitando os olhos.
‒ Isso era para ser um pedido de desculpas?
‒ Isso era para ser um esclarecimento. Você já sabia que eu não pediria desculpas.
Ela continuou encarando aqueles olhos enquanto ele encarava os dela de volta. Soltou seu pulso que apenas segurava de leve, pedindo a sua atenção. O que fazer? Seu namorado ciumento a encarou mais uma vez, um sorriso ligeiramente arrependido – por mais que ele negasse até a morte – deixado de lado no seu rosto.
‒ Não era para terminar assim. ‒ ele disse ‒ Não esperava que você fosse ficar tão puta da vida.
‒ Não ficaria se fosse a primeira vez e você parasse com esse ciúme a toa. ‒ retrucou, virando de costas para ele.
‒ Você também tem seus ciúmes, nem venha com essa. ‒ ele rebateu com seus olhos cheios de um desejo incontido enquanto se aproximava dela para abraça-la por trás, deixando que seus dedos a tocassem primeiro na cintura, deslizando para o seu abdômen ‒ Com a diferença de que você é mais comedida, cheia de ser certinha.
Ela tentou se virar para ele, mas ele a segurou firme e beijou seu pescoço.
‒ Você sabe que eu não gosto que você... ‒ disse em meio a um suspiro que ela amaldiçoou deixar escapar ‒ Faça isso quando eu estou brava contigo.
‒ E como mais eu poderia me redimir se não fosse assim? ‒ murmurou contra a pele dele, deixando um rastro com a sua língua, buscando o lóbulo de sua orelha.
‒ Pedindo desculpas, talvez?... ‒ ela gemeu baixinho quando ele se dedicou um pouquinho mais em sua orelha esquerda, mordendo suavemente.
‒ Não, não, não. ‒ disse bem pertinho, conseguindo um arrepio ‒ Gosto mais disso...
Ele riu baixinho e foi quando ela tentou se afastar, mordendo os lábios.
‒ Pare de me manipular.
‒ Não estou te manipulando. ‒ disse enquanto a beijava no rosto.
‒ Eu... ‒ ela suprimiu um grito ‒ Para, eu não quero...
‒ Ei, relaxa...
‒ Eu não quero relaxar, eu estou puta com você.
‒ Eu não gosto de você puta comigo, vamos ficar bem, vamos.
‒ Eu não gosto de você quebrando o nariz dos meus amigos.
‒ Eu não gosto dos seus amigos, não acredito na inocência de nenhum deles.
‒ Você está dizendo que eu não sei escolher minhas amizades?
‒ Eu estou dizendo que eles não sabem diferenciar amizades de possíveis trepadas.
‒ Você tem suas amigas também.
‒ E nunca dei em cima de nenhuma delas, tudo porque eu te respeito.
‒ Por que, você queria ficar com alguma delas e eu sou um obstáculo, é isso?
‒ Eu nunca disse isso. ‒ respondeu mais emburrado do que antes, mordendo a curva de seu pescoço.
Ela murmurou algo ininteligível e ele sorriu um pouquinho mais.
‒ Deixe-me cuidar de ti, deixa... ‒ ele pediu baixinho ‒ Eu só fiz o que eu achei certo...
Ela pensou em algo como o cavaleiro da armadura reluzente, mas tentou trocar a imagem por um ogro possuído por demônios ciumentos. Não conseguiu ir muito longe com essa tentativa. Suspirou mais uma vez e foi a sua danação.
‒ Não pense que eu vou esquecer o que você fez. ‒ ela resmungou, virando-se para ele ‒ Nós vamos conversar mais tarde, você querendo ou... Não. ‒ disse em meio ao suspiro quando ele mordeu seu queixo.
‒ Certo... ‒ disse ele, sorridente ‒ Podemos conversar mais tarde. Por hora, mocinha, eu quero que você relaxe... Eu sou muito bom em outras coisas além de brigar.
Ela não ficou chateada por muito mais tempo.
Muito menos se lembrou de conversar sobre o assunto mais tarde.
N/A: ciumentos e ciumentas de plantão, essa é pra vocês (e eu me incluo nessa)! Quem nunca quis quebrar o nariz, arrancar uns cabelos, envenenar e sumir com o o corpo de alguém por ciúme, hein? Hahahahahahahahahahahahaha... Pelo menos nós somos civilizados e - espero - nenhum de nós concretizou esses pensamentos até agora. Espero que tenham gostado!