Karu

Cresceu amargo em um leito sem lei,
Seus olhos não eram de um brilho terno,
A distância o satisfazia,
A proximidade o incomodava,
Era uma criatura curiosa
Aquela criança amarga.

Sua mente se embebia em trevas
Aos treze anos de idade,
Seus pensamentos hostis e perversos
Eram um dragão de nome difícil,
Que ascendia aos céus tempestuosos
Na esperança de dominar o tempo.

Ele seguiu um caminho difícil
Sem orientação ou auxílio externo,
Trancou a voz para que não falasse,
E como todos os símbolos malditos
Que guardava dentro de seu ser,
Quebrou os espelhos que o enfeitiçavam.

Tal e qual o desejo escuro
Que o cegava nas noites tranquilas,
Seu coração gritava desesperadamente
Por algo que não fosse ódio,
Mas apenas ódio encontrou
Naquele poço de sofrimento.

Os pesadelos frequentes assustavam,
Demorava em despertar pela manhã
Quando os outros acordavam,
Porque a noite o abraçava
Como nenhum amante faria
E não questionava seus sentimentos.

Em seus sonhos mais horrendos
Não esperava o que encontrou:
A confiança lhe foi roubada
Assumiu que o ódio que tinha era puro
E fez dele um berço para o ser
Que emergiria de sua carne.

Ao invés de anjos ao seu redor,
Os demônios o circundavam
Assim como os corvos observam aos cadáveres,
Silenciosos e solenes,
Sabendo que quando tudo acabasse,
Aquela alma pertenceria a eles.

Seu coração bate mais depressa,
Sua postura é opressora,
O caos é o que o governa,
O ódio é o que o interessa,
Se seu nome não for Karu,
Eu não sei mais quem eu sou.


N/A: Boooooa tarde! Já pensava em escrever algo com um tom mais... Sombrio. Menos voltado às luzes. Se saiu melhor do que eu imaginei, pelo menos. Espero que gostem!

PS: talvez isso vire uma crônica. Ou um conto. Quem sabe? O ambiente está criado.