Como tudo poderia ser tão controverso assim? Já se passaram quantos dias desde que discutimos? Mais do que meus dedos podem contar, tenho certeza. Eu viro o copo, fazendo uma careta em seguida. Desde que começamos a sair eu certamente não bebo mais e me sinto um não iniciado na arte de tomar um porre agora que o uísque desce arranhando a minha garganta. Foi a nossa primeira briga? Acho que foi a primeira briga séria, pelo menos. Primeira vez que bebo por você. Tim-tim.
O barzinho perto da faculdade fica cheio de alunos por volta desse horário, posso vê-los por cima do meu ombro, "bebemorando" as notas que saíram. Eu me levanto, pedindo para o Roberto pendurar as bebidas que eu pagaria amanhã. Ele ainda me conhece, peo menos, e eu o agradeço quando ele me libera para ir embora. Eu também deveria estar comemorando com a galera, sentado naquela mesa grande de onde chegavam garrafas cheias e voltavam garrafas vazias com uma frequência maior do que a desejável para os pais ou esposas que esperavam-nos em casa.
Saio pela rua, sentindo o vento frio contra o rosto quente, a melancolia e a raiva se misturando em doses igualmente perigosas. Coloco de volta o cachecol vermelho que você me deu, embora a minha vontade seja de rasgá-lo em pedaços e atirá-lo no fogo, como você fez com o primeiro presente que te dei, o ursinho que você chamou de "Johnny Boy", como você me chamava no primeiro semestre. Eu quase grito de frustração, mas me seguro. Não quero passar por descontrolado.
Como uma pessoa poderia ser tão suscetível à opinião alheia? Se alguém me contasse algo a respeito de você, eu desejaria saber se é verdade... Mas diretamente de você. Não ficaria matutando sozinho ou com os meus amigos enquanto você estivesse achando que estava tudo bem. Eu não saí com aquela vagabunda, talvez você devesse aprender quando alguém está mentindo. Talvez você devesse confiar em mim, coisa que pensei que fizesse.
Se fosse comigo, eu ia ficar um pouco alterado sim, não nego. Mas não ia levar em consideração só a palavra dos corredores da faculdade. Ia levar em consideração a sua palavra. Teria o bom senso de te ouvir, coisa que você não teve.
O resultado dessa briga foram cacos de vidro pela minha sala de estar, aranhões em meus braços, um corte no lábio e uma dor de cabeça insuportável após o seu tapa. O mais estranho de tudo isso, é que eu não consigo sentir sua falta. Apenas continua indignado com a sua infantilidade. E eu odeio isso. Eu odeio essa coisa em que você se tornou! Por cada uma das coisas que fiz por você, por todas as vezes que dormimos e acordamos juntos. Todas as vezes em que passamos noites em claro apenas para fazer os nossos vizinhos lamentarem os barulhos.
O que tudo isso significou para você? Para mim, significou muito mais do que você pode imaginar. E essa mais uma das coisas que eu não entendo, porque só quando eu paro para pensar, você me faz falta. E quanta falta me faz. É contraditório sim, é terrivelmente contraditório. Suspiro uma meia dúzia de vezes no caminho para casa, trôpego pela bebida e a visão nublada por mais que álcool. Os pensamentos me roubam o foco e eu esbarro nas pessoas sem nem ao menos perceber que estava andando. Sou patético, eu sei, mas você não tem o direito de me dizer isso.
Eu te odeio. Eu odeio tudo em você. Eu te odeio tanto quanto te amo. Suspiro longa e demoradamente antes de dar de ombros. Vai entender... E eu sei que você me odeia tanto quanto me ama. É um pouco extremo, você não acha? “Entre tapas e beijos”, do amor ao ódio. Talvez sejam apenas lados diferentes de uma mesma coisa, ou algo do gênero. Não venha me pedir para que eu me expresse direito, estou mais alcoolizado do que deveria. É tudo igual, no fim das contas. Eu, você. Essa coisa de "nós".
A quem estamos enganando?
N/A: acho que esse é o último da leva desse blog! Hahahahahahahahahahahahaha... Finalmente!
EDIT: revisado em 11/01/2014. \o/