Sussurros

Você sempre me enganou com sua lábia. Eu prestava mais atenção nos teus gestos, nos teus jeitos... E mesmo assim sempre fui enganado. Caí na sua ladainha e me vi repetindo-a para os meus amigos. Eles me falaram que eu iria quebrar cara e eu senti vontade de quebrar a deles. Isso é tão estranho... Eu sempre achei que estava certo.

Você me apareceu como um farol para um navio perdido em alto mar. Eu naveguei em sua direção e me apeguei à esperança de que você pudesse me salvar. Mas quando consegui chegar mais perto, quando o caminho para o romance já estava trilhado, você apagou todas as luzes e me fez perder a direção.

Eu me perdi na escuridão daquelas noites. Fui de bar em bar procurando bebida, de casa em casa procurando a minha. Eu me perdi por sua culpa. E por minha também. Eu sou fraco, admito. Eu sou um idiota patético. Você me deixou uma vez, o que te impedia de fazer de novo? Você sempre me pareceu tão completa, mas de perto você parece tão vazia... Talvez seja por isso. Tem que ser assim?

Eu tento, mas não consigo me conformar. Não vem com essa história de “isso é o melhor para nós dois”. Em que planeta isso seria o melhor para nós dois? Talvez você consiga viver sem a minha companhia, mas eu não posso viver o paraíso para ter de abandoná-lo em seguida. Eu não posso fingir que nunca te conheci. É impossível. E é isso o que me faz patético.

Eu queria que essas palavras soassem como gritos. O problema é que são apenas sussurros de minha alma agonizante.


N/A: texto antigo, achado perdido em um blog igualmente antigo em que eu colaborava ocasionalmente escrevendo alguma coisa, hahahahahahaha... O mesmo blog, inclusive, onde publiquei pela primeira vez o meu "Momento Finais" e o "Sobre o pôr-do-sol e coisas inesquecíveis". Bons tempos em que eu tinha tempo sobrando para escrever, hahahahahahahaha...