Tédio

Olívia sentou-se na carteira do meio da sala, observando a aula com um tédio que só ela poderia descrever.

Ela estava com aquela sensação esquisita de novo. Uma vontade louca de gritar, de jogar todas as mesas no chão. Vontade de pular, sorrir, dançar... Qualquer coisa que a livrasse daquela agonia insana que estava sentindo. Porque, querendo ou não, era agonizante ficar ali, sem fazer nada.

Os olhos se moviam de um lado para o outro, procurando alguma coisa para se fixar, mas encontrava apenas coisas desinteressantes. Via todos os colegas baqueados após o intervalo naquele dia quente. Ninguém para conversar, ninguém para trocar uma ideia ou discutir o quão ruim era aquela matéria em especial. Respirou fundo enquanto o professor explicava a importância daquele tópico.

Suspirou, irritada.

Remexeu-se na cadeira mais uma meia dúzia de vezes nos últimos sessenta segundos. Segundos que se arrastavam. Nos últimos vinte minutos o ponteiro do relógio fazia questão de lhe mostrar que só havia passado cinco. "Estou perdida", lamentou enquanto enterrava a cabeça entre as mãos. Seus cabelos já chegavam ao ponto de irritá-la. Colocou algumas mexas dos longos fios escuros atrás das orelhas, mas em menos de dez segundos já tornavam a cair, fazendo com que ela repetisse o processo.

As pernas balançavam, agitadas, loucas por qualquer movimento. Odiava ficar irritada, mas de uns dias para cá era o que mais vinha acontecendo. Inquietude. Seu coração não parava de esmurrar o seu peito, intensificando todas aquelas sensações e as vontades subsequentes, descompassando os seus tão ajeitadinhos compassos. Respirou fundo. “Controle-se”, murmurou em vão, buscando qualquer coisa que a deixasse menos incomodada com o ar que respirava e que parecia raspar ao longo do percurso até o seu pulmão.

Debruçou-se sobre a sua carteira com uma incompreensível vontade de chorar. "Incompreensível uma ova", pensou enquanto se ajeitava na cadeira, ainda mais inquieta do que antes. Não era difícil de compreender se existisse alguém, naquele momento, com a mesma sensação que ela. Olhou para o teto, desconsolada. Pensou em sair da sala. Dar uma desculpa. Qualquer coisa.

Água. Precisava urgentemente de água.

Saiu da sala, foi até o bebedouro e, como alguém que acabara de enfrentar uma maratona, banqueteou-se no líquido como nunca antes havia feito. Saciada. Já parecia se sentir melhor, ou pelo menos assim pensava. Fuçou um pouco no celular, sem ter certeza do que fazer com ele. Voltou para a sala, sentou-se em sua carteira. Olhou para o professor, que apresentava a matéria com um jeito que ele imaginava ser irreverente, mas que, por favor, passava bem longe disso...

Suspirou.

Não precisava ser um gênio para pressupor que daqui a dez minutos estaria mais uma vez enlouquecendo. Maldito seja o tédio.


N/A: mais um da mesma leva que "Sussurros", hahahahahahahahaha... Esse saudosismo barato de colocar textos que já escrevi há muito tempo.

EDIT: 03/01/2014 - revisado e adaptado do anterior! \o/