Talvez fosse o dia frio
que inspirasse tais gestos
ou ainda o tom sombrio
dos recentes manifestos,
mas ele ainda não sabia
o que estava por vir.
Talvez fosse o sol opaco
daquele dia outonal
ou ainda o som tão fraco
de um único pardal,
mas ele ainda não sabia
o que estava por vir.
Levantou-se logo cedo,
teve pressa no caminho,
escolheu a roupa a dedo,
tomou uma taça de vinho,
mas ele ainda não sabia
o que estava por vir.
Foi atravessando a rua,
com uma calma transparente,
tinha a bela cara nua
e um semblante tão contente,
mas ele ainda não sabia
o que estava por vir.
Estava quase em seu destino,
ironia tão sem graça,
avistou logo um menino,
vinha armado com uma faca,
mas ele ainda não sabia
o que estava por vir.
Disse então: "passa a carteira",
e ele passou com cuidado,
"eu não estou de brincadeira",
disse o menino assustado,
mas ele ainda não sabia
o que estava por vir.
Quando pôs a mão no bolso,
para passar os seus pertences,
o menino, então tão moço,
agiu logo, de repente,
e ele já sabia
o que estava por vir.
A faca entrou direto
entre duas costelas,
o menino correu reto
sem saber quem ele era,
e ele já sabia
o que estava por vir.
Ele agora agonizava
deitado ali no chão,
gritava e engasgava
com o sangue no pulmão,
e ele já sabia
o que estava por vir.
Consciência foi embora
antes de alguém chegar,
morreu logo, sem demora,
deitado, furado e sem ar,
e ele já sabia
o que estava por vir.
Morreu ali longe dos olhos
da mulher que ele amava,
referência ao seu espólio:
a rosa que carregava,
e então chegou
o que estava por vir.
N/A: depois de algum tempo, um poema. :D Final de abril, já. :P Pra quem escreveu bastante em janeiro, até que estou produzindo bastante, hahahahahahaha... Espero que tenham, erm... Gostado? Acho que se enquadra. Bom, se gostou, deixe um comentário e compartilhe com os amiguinhos, toda divulgação é válida! :D Valeu e até a próxima!