Despedida

É muito cedo para um último romance,
Mas também cedo foi para a tua morte.
Estou prostrado aos pés de tua lápide,
Pranteando por tua vida mal vivida,
Por teus sonhos não cumpridos,
Pelos planos nunca antes impossíveis.
Pois agora o são.

Como ousaste deixar-me aqui sozinho?
Disseste-me para que vivesse uma vida boa.
Queres que eu viva?! Pois bem, mas saibas:
Nenhuma vida é vida boa sem ti.
Cheguei a ver-te em teu leito de morte.
Partiu em paz, com um sorriso abreviado.
Teu último suspiro pegou-te de surpresa
E não dedicou-me últimas palavras.

Velei teu corpo em vida por noites infindas,
Mas nunca pranteei sobre ele como o fiz.
A certeza de que nunca a verei novamente.
Dói quando te enclausuram.
Dói ver-te imóvel diante disso.
Não houve luta em tua morte.
Houve luto, apenas.

Cada grão de terra assentada sobre ti
Assenta a certeza de tua morte.
Não vais voltar, e vem mais terra.
Não jantaremos, e vem mais terra.
Não voltarei a beijar teus lábios.
Minha existência se consome em tua morte.
A minha salvação se foi contigo.
A morte ri enquanto pranteio.

Eu grito de ódio.
Eu grito de fúria.
Deixo-me a consumir pelas emoções,
As mais sombrias me fizeram outro eu,
Mas até mesmo este eu mais escuro
Se fez impotente diante da dor de tua morte.
Partiu cedo e sem me dizer adeus.
Não há justiça, honra ou glória na morte.
Há apenas o sofrimento que a segue.

Cansei-me de prantear sobre a morte,
Mas apenas o pranto me restou.
Morreram muitos com os quais me importei.
Tua morte fez-me encarar o abismo
E quando o abismo encarou de volta
Apenas o pranto me restou.
O mundo perdeu as cores, não gira mais.
Cada passo que dou é em direção ao fim.

A minha tristeza ecoa no quarto vazio.
A morte deseja a mim,
Encontrar-te-ei jamais,
Temos destinos diferentes.
A lâmina me raspa os tendões,
Escrever torna-se um desafio.
Meu pranto silencia-se em minha respiração.
A realidade mistura-se com a ilusão.
Por um instante eu posso ver-te novamente.

Sorrio enquanto o sono me apaga os olhos.
Permaneceste bela como sempre fostes.


N/A: deprimente, mas acho que é a primeira coisa que escrevo em muito tempo. Espero que gostem, abraços!